terça-feira, 26 de junho de 2007

Os "americanos" e os eléctricos

Carro "Americano" - Museu de Massarelos, Porto"Americano" circulando no Porto
Americano puxado por duas mulas
Interior de um "Americano" exposto no Mueu de Massarelos, Porto
Eléctrico subindo a Avenida Sá da Bandeira, Coimbra, pela equerda (influência inglesa)
Eléctrico na mesma zona do da fotografia anterior, mas já circulando pela direita.

Estação Nova. Com a chegada do comboio acabou a 1ª linha de "Americanos" em Coimbra
Trólei da 1ª linha conimbricense (nº 6 - Santa Clara)


O Americano surgiu nos EUA em 1834. Era um meio de transporte colectivo que se deslocava sobre carris, puxado por mulas.

Em Coimbra, por iniciativa privada, surgiu em 1874, a companhia Rail Road Conimbricense que explorou a primeira linha de sistema americano que ligava a calçada (actual Ferrira Borges) e a Estação Velha.

A duração desta ligação durou pouco tempo (encerrou em 1887) porque, em 1885, o comboio passou a ligar a Linha do Norte e a Estação de Coimbra A (Estação Nova).

Em 1904 (1 de Janeiro), surgiu uma segunda tentativa ligando a baixa à Universidade que, mais uma vez, fracassou, pois a inclinação do caminho dificultava a progressão das viaturas puxadas por mulas. O serviço fechou 1 de Janeiro de 1911. A título de curiosidade diga-se que no Porto, que foi a primeira cidade peninsular a ter eléctrico, em 1895, os "americanos chegaram até 1960.

Em 1911, surge então a 1ª linha de eléctrico, sendo Coimbra a 4ª cidade portuguesa a ser servida por tal meio de transporte, depois do Porto, Lisboa e Sintra.

Até à década de 40, altura em que aparecu o primeiro trólei, os transportes da cidade foram dominados pelos eléctricos.

Com achegada dos trólies e o aumento do trânsito foi diminuindo o número de linhas até que em 1 de Janeiro de 1980 terminaram as duas linhas que ainda existiam: a 4 que ligava Portagem a Celas e a e que ia até aos Olivais.

Desde essa data, só no museu da Rua da Alegria é possível ver os eléctricos, parados, pois nem um pedaço de linha ficou para que pudessem circular em dias festivos.

Esperamos agora pelos eléctricos rápidos, que, fazem-nos acreditar, resolverão todos os problemas depois de termos despachado esses simpáticos veículos, nos quais ia até ao Liceu D. João III (José Falcão depois do 25 de Abril), nos meus tempos de estudante.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Visita de Estudo / Baptismo de Mergulho

Baptismo de mergulho: as instruções básicas
Os primeiros mergulhos
O almoço aconteceu junto à bela Igreja Gótica da LourinhãO Grupo na ponta do Cabo Carvoeiro
A famosa Nau dos Corvos
A Fortaleza / Prisão de Peniche
O Parlatório, local onde os presos podiam falar com quem os visitava
O Corredor da ala C (Presos políticos considerados"mais perigosos")

Uma cela (reconstituição)

O ano lectivo está a chegar ao fim. Muito se fez ao longo deste tempo, muito ficou por fazer


Ontem (dia 20 de Junho), a turma do 6º B do Caic, teve oportunidade de fazer a última visita de estudo do ano lectivo, que serviu também de despedida, uma vez que vou deixar de ser seu Director de Turma e os alunos vão ser distribuídos por diversas turmas, como acontece no final do 2º ciclo.

O dia começou bem cedo com a saída do Colégio pelas 7 da matina a caminho da Lourinhã, onde nos esparava um baptismo de mergulho, na companhia do conceituado instrutor de mergulho Luciano Mesquita.

A coisa não podia ter sido mais animada e a parte que mais custou a alguns foi estar calados enquanto estavam debaixo de água.

Depois de uns jogos de Tenis subaquáticos, lá acabou a manhã e novas ocupações nos esperavam.

Almoçámos num Jardim na Lourinhã com uma bela vista para a Praia da Areia Branca, avistando-se, ao longe, as Berlengas .

Depois de satisfeito o estômago, lá partimos a caminho de Peniche, tendo passado pelo Cabo Carvoeiro onde vimos a Nau dos Corvos, para visitar a sua fortaleza / prisão, que, em tempos do Estado Novo, foi uma das mais sinistras prisões políticas do país.

Daqui fugiu Dias Lourenço (já vistámos a prisão na sua companhia), em época de Natal, depois de ter saltado para a água e de ter nadado quase duas horas até chegar à praia.

Também daqui fugiu Álvaro Cunhal e mais oito companheiros (camaradas a bem dizer) acompanhados pelo Guarda Republicano que os ajudou a escapar. Aqui, muitos presos foram torturados e por aqui passou uma parte da história da resistência à Ditadura.

Para que os alunos do 6ºB, que já nasceram em Democracia, se recordem que nem sempre assim foi, esta visita foi importante, até porque foi uma maneira de ver ao vivo, alguns dos assuntos abordados nesta recta final do ano lectivo.

Para todos vocês, sem excepção, o meu muito obrigado.

Um dia destes encontramo-nos por aí.

Até sempre.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O Abade João (Montemor-o-Velho)

Castelo de Montemor-o-Velho
Interior do Castelo
Interior do Castelo
Capela da Seiça (ou Ceiça)

Nos tempos conturbados da Reconquista, habitaria no Castelo de Montemor um abade de nome João.

O Abade teria um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho.

O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos.

Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado.

Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos.

Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal.

No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido.

A lenda ainda não acaba aqui ,uma vez que depois desta vitória resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abde João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade joão foi enterrado.

Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal era um gigante.

Sorte D. Afonso Henriques não ter pedido autorização ao IPPAR para abrir o túmulo, pois ainda hoje estaria à espera de uma resposta positiva.

Ou será que o IPPAR se está a vingar do facto de D. Afonso Henriques ter mandado abrir o túmulo sem autorização da Ministra?

Especulações.

domingo, 17 de junho de 2007

A lenda das duas arcas (Montemor-o-Velho)

O Basófias (Mondego) em Coimbra
Vista do Mondego
Campos de Montemor-o-Velho
Campos de Montemor-o-Velho
Os campos vistos do Castelo
Uma tradição muito antiga diz-nos que, no fundo de uma cisterna do Castelo de Montemor-o-Velho, estão duas arcas iguais fechadas.
Conta-se que uma está cheuia de ouro e outra cheia de peste.
Todas as pessoas que, até hoje, as encontraram não tiveram coragem de as arrombar, pois corriam o risco de abrir a da peste.
Actualmente, continuam bem escondidas.
Penso que esta lenda tem uma relação estreita com o Mondego, pois também o rio significa o ouro e a peste.
Às portas de Montemor vinham os fenícios comerciar (há vestígios junto ao monte de Santa Eulália), ou seja chegava o ouro das trocas comerciais.
Mas o mesmo rio trazia as cheias com as desgraças habituais e toda uma série de doenças associadas à cultura do arroz como o tifo, a malária e o paludismo que dizimava as populações.
Por estes motivos se dizia que só trabalhava no arroz quem não tinha mais sítio nenhum onde trabalhar. Todos aqueles que podiam, fugiam do trabalho nos arrozais.
A partir do século XIX, com os avanços na Medicina e na Química tudo se alterou e essas doenças desapareceram do Baixo-Mondego.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Montemor-o-Velho







Embora o post seja sobre Montemor-o-Velho vou começar por falar de Maiorca.
Maiorca é uma povoação localizada na base do monte de S. Bento, na margem de uma ribeira que desagua no rio Foja.
A história que conta o seu nome é uma curiosidade etnográfica.
O nome teria surgido devido à rivalidade com a vila situada no lado oposto da palnície aluvial do Mondego: Montemor.
Os habitantes de Montemor diziam que o seu monte era o maior (mor), ao que os de Maiorca retorquiam, dizendo: Maior é o de cá!
Entretanto, com o passar dos anos Montemor viu o seu nome aumentar para Montemo-o-Velho, quando a reconquista avançou para sul e foi conquistado um outro Montemor que, por ser terra recente, se passou a chamar Montemo-o-Novo.
Em Montemor-o-Velho comiam-se, há alguns anos, umas espigas doces, que hoje se podem encontrar em Tentúgal, na Pousadinha, que muitos conhecerão por causa dos pastéis de Tentúgal e das queijadas.
Bom proveito.

domingo, 10 de junho de 2007

Cantanhede: Dixieland e não só!

Cantanhede - Estátua do Marquês de Marialva
Retábulo da Capela da Varziela - Nossa Senhora da Misericórdia
Festival do Mar no Fininho

Grupo de Dança de uma escola do Concelho de Cantanhede

Astedixie Jazz Band
O grupo com bailarinas mais novas
A Bandinha dos Cavalos

Tenho uma casa no Campo,
Por isso sou camponesa;
Hei-de me casar na Gândara
P'ra me chamar gandaresa.

Quando falamos a Gândara, falamos também da sua capital, Cantanhede.
A palavra Cantanhede teve origem no topónimo celta cant- que significa pedra grande. Não nos podemos esquecer que estamos junto às famosas pedreiras de Ançã, cuja pedra está intimamente ligada à Renascença Coimbrâ e à sua estatuária.
Mas dizia eu, de cant- derivou o termo Cantonieti, que aparece em documentação medieval com a grafia de Cantoniedi, Cantonidi e Cantonetu.
Assim a palavra Cantanhede significa Quinta da Pedreira, tendo a mesma origem da palavra canteiro, que designa os que trabalham a pedra.
Cantanhede é terra antiga aparecendo referida em documentos de 1087. A primeira Carta de Foral datará do reinado de D. Afonso II, mas não há provas concretas da sua atribuição.
Vários motivos nos podem levar a Cantanhede: a visita à vila propriamente dita e que deverá incluir um desvio à Varziela a fim de visitar a famosa capela local , erigida em 1530, onde se pode apreciar um magnífico retábulo de João de Ruão, representando a Senhora da Misericórdia.
Outro motivo pode ser uma visita ao Marquês de Marialva, famoso restaurante da terra, conhecido pelas suas famosas entradas (que para alguns se transformam em almoço), ou ao Fininho conhecido pelas suas mariscadas e não só.
Por último referir que no segundo fim de semana de Junho tem lugar em Cantanhede um festival de Dixieland, que no Domingo culmina com um desfile de rua, em que todas as bandas percorrem as principais artérias da cidade.
Para quem não saiba, Dixieland é, porventura, a forma mais antiga de jazz, típica das zonas do Mississipi.
Entre outras bandas de vários países do mundo, pude apreciar a Astedixie Jazz Band, da Lousã, onde toca (banjo) o meu colega Nuno Antão.

Uma estória curiosa:

Foi em Cantanhede, no ano de 1360, que D. Pedro declarou, diante dos grandes do reino, que havia casado com D. Inês de Castro sete anos antes em Bragança, pelo que os filhos havidos de ambos eram legítimos, com todas as implicações que isso tinha. Embora tivesse apresentado o testemunho do Bispo da Guarda, não terá convencido os presentes, pois seria D. João Mestre de Avis, que acabaria por suceder a D. Pedro, depois de uma brilhante argumentação do Dr. João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Coimbra - A Guerra da Carne

UNIVERSIDADE DE COIMBRA
PÁTEO DAS ESCOLAS NO INÍCIO DO SECULO XX
SÉ VELHA DE COIMBRA
IGREJA DO MOSTEIRO DE SANTA CRUZ DE COIMBRA
Depois de 3 posts em que abordei outros assuntos, volto hoje a Coimbra, para vos dar conta de um estória bem curiosa: a Guerra da Carne.
Em Coimbra, em tempos idos, havia três importantes centros de poder: O Mosteiro de Santa Cruz, a Universidade e a Sé Catedral.
A Universidade deve a sua vinda para Coimbra em 1308, depois de ter sido fundada em Lisboa em 1290, ao facto de, em Coimbra, ficar uma das mais importantes escolas portuguesas, no Mosteiro de Santa Cruz que possuía, aliás, uma notável biblioteca.
Mas a estória que hoje vos quero contar envolveu Santa Cruz e a Sé Catedral.
Os monges do Mosteiro eram regrantes, isto é, seguiam uma regra, que lhes permitia eleger o seu prior. Isto sempre foi motivo de conflitos com o Bispo pois este queria mandar no Mosteiro que era um dos mais ricos do país. Os monges conseguiram no entanto ficar dependentes, directamente do Papa.
Desta rivalidade surgiram alguns conflitos, sendo o mais famoso a chamada Guerra da Carne.
Um dia, o monge de Santa Cruz encarregue de comprar a carne para o Mosteiro dirigiu-se ao açougue (matador, talho) e, ao chegar lá, foi informado que não havia carne, pois esta havia sido toda comprada pelo Bispo de Coimbra.
O Prior de Santa Cruz não se deu por vencido e, no dia seguinte, mandou os seus homens assaltar a casa do Bispo e trazer para Santa Cruz, toda a carne que por lá encontrassem.
Assim foi feito, dando-se início a Guerra da Carne. Todas a população de Coimbra aderiu a um dos partidos em luta.
Houve lutas na rua e mortes, obrigando o rei D. João II a intervir, mandando as suas forças ocupar a cidade para restabelecer a calma.
Eis como, por um motivo sem grande importância, Coimbra se viu envolvida, no século XV, num autêntico ambiente de Guerra Civil.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Meme

Fui desafiado, há uns tempos atrás, pelo blogue Eu estou Aki a deixar um Meme no meu bogue.
De que se trata isso?
Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues.
O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".
Então aqui vai:
"Os ignorantes, que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER"
-- Provérbio Popular
Ora aqui está uma frase bem interessante para quem, como eu, trabalha no mundo da educação. E não estou apenas a pensar nos alunos.
E as cinco bloguesque vou escolher são:

Desafios

Respondendo ao desafio da amiga e colega de profissão Um Olhar Azul, cá estou revelando um pouco de mim, na primeira pessoa:
Eu quero: ser feliz.
Eu tenho: vivido alguns episódios que gosto de recordar.
Eu acho: que não me posso queixar da vida.
Eu odeio: hipocrisia.
Eu sinto: vontade de começar cada novo dia como se fosse o primeiro, ou o último.
Eu escuto: o que os outros têm para me dizer.
Eu cheiro: sarilhos à distância.
Eu imploro: que não me chateiem.
Eu procuro: o a amizade verdadeira.
Eu arrependo-me: de não ter aproveitado melhor certos momentos da minha vida.
Eu amo: a minha família.
Eu sinto dor: com a dor dos outros.
Eu sinto falta: de tempo, às vezes.
Eu importo-me: com os outros.
Eu sempre: quero acreditar wm toda a gente.
Eu não fico: zangado, pelo menos durante muito tempo.
Eu acredito: no amor.
Eu danço: às vezes.
Eu canto: num Coro.
Eu choro: às vezes sem razão aparente.
Eu falho: mais do que gostaria.
Eu luto: por aquilo em que acredito.
Eu escrevo: aqui e espanta-me haver quem tenha pachorra para me ler.
Eu ganho: novos conhecimentos a todo o momento.
Eu perco: quando os outros perdem.
Eu confundo-me: melhor dizendo, há coisas que me confundem
Eu estou: sempre disponível para os outros.
Eu fico feliz: quando vejo os outros felizes.
Eu tenho esperança: que tudo melhore.
Eu preciso: de férias fora de casa.
Eu deveria: praticar desporto.
Eu sou: um tipo bem disposto. Quase sempre.
Eu não gosto: de falsidade.

E os cinco nomeados para este desafio são:
http://clubedearqueologia.blogspot.com/
http://dispersamente.blogspot.com/
http://segredosdaesfinge.blogspot.com/
http://pitangadoce.blogspot.com/
http://dalgodres.blogspot.com/

domingo, 3 de junho de 2007

Juntos na Diferença

(O lema da festa do SOLNEC) (Teatro 6ºB- A corte de Filipe III de Portugal)
(A reunião dos conjurados)
(A aclamação popular de D. João IV)
(A festa no final da Peça, ao som do Vira)(A nossa participação no Clube dos Talentos - A Orquestra do 6ºB)
(A barraca do 2º Ciclo)
(Actuação de um grupo da APPACDM)
(Final do Clube dos Talentos: Quando o Colégio fizer 100 anos - 12ºA)

Este fim de semana o Colégio onde trabalho está em festa.
O programa começou no Sábado com um jantar de gala do 9º ano e com a apresentação pública da peça de Teatro "Viagem no tempo - A revolução de 1640", levada a cabo pelos alunos da minha Direcção de Turma.
Este foi o projecto deles.

Depois da ida à televisão, do Clube dos Talentos, agora foi a prova dos nove, pois a peça tinha cerca de 1 hora, onde a brincar se falaram de temas sérios. (No fim está transcrita uma das cenas).

No Sábado viveu-se mais um convívio da Família CAIC, desta vez integrado na actividade levada a cabo pelo SOLNEC, de apoio à APPACDM.

Mais de mil pessoas participaram na festa, onde se juntaram verbas para apoiar a referida APPACDM, e puderam praticar desporto em equipas mistas com cidadãos apoiados por essa associação e assitir a um espectáculo levado a cabo por grupos de música, teatro e dança dessa mesma Associação.

Inesquecível para todos os que assistiram é o mínimo que se pode dizer.

Assim se cumpriu o lema "JUNTOS NA DIFERENÇA".

Ao mesmo tempo decorreram os Torneio de Andebol e e Xadrez que trouxeram às nossas instalações dezenas de atletas de outras escolas e clubes.

À noite foi a vez da final do Clube dos Talentos, tendo saído vitoriosas as turmas do 5º B (2º ciclo), 7ºC (3º ciclo) e 11ºC (Secundário). A todos os participantes os meus sinceros parabéns pois proporcionaram um espctáculo de elevada qualidade.

Hoje, Domingo, é o dia do Voleibol e, mais uma vez, mais de 300 alunos estão em convívio num torneio desportivo que traz, à nossa escola, atletas de todo o país, envolvendo toda a comunidade escolar (alunos, pais, educadores docentes e não docentes e muitos outros amigos).

É assim que se faz uma escola viva, inclusiva, integrada no meio em que se insere e não com palavras vãs, boas para noticiários sensacionalistas mas pouco cumpridas na prática.

Daqui a 15 dias encerraremos a Festa com o XXXIII Festival da Canção CAIC, a que vão concorrer 25 músicas originais .

E agora para os mais curiosos eis a cena 8 da peça de teatro:

(Juntam-se pessoas – Constantino, Manuela e Maria - perto da varanda do Paço)
Constantino: (Entra em cena) Vamos embora, parece que vai ser aclamado um novo rei.
Manuela: Então sempre é verdade que vão aclamar o Manuelinho?
Maria: Parece que sim! Julgo que o Filipe III já era…
Constantino: Espero bem que sim, pois corremos o risco, se ficarmos espanhóis, de perder a nossa cultura.
Manuela: Que cultura? A dos mexilhões?
Maria: Quais mexilhões qual carapuça! Eu não quero acabar os dias a comer tortilhas….
Constantino: O que faltava era ficarmos sem as nossas queridas omeletas e sem os nossos queridos Pastéis de Belém.
Manuela: Então os Pastéis de Belém não são descendentes das natilhas?
Maria: Das ilhas? Então os pastéis de Belém não são do continente? Quem dera aos espanhóis comer os nossos petiscos…
Constantino: Um dia destes ainda andávamos a dançar o flamenco…
Manuela: Nem morta. Eu cá prefiro dançar o vira e o corridinho.
Maria: Bem, deixem-se disso. Não há nada como a cultura portuguesa. Então há rei ou não há rei?
Manuelinho: (Entra e começa a subir as escadas) Quem sou eu, quem sou eu, quem sou eu?
Todos: Sois rei! Sois rei! Sois rei!
Constantino: E que nome ides adoptar?
Manuelinho: Claro que é Manuelinho I, o Lelé da Cuca.
Manuela: Lelé da Cuca?! Não se arranja um cognome melhor?
Maria: Um cogumelo melhor?
Manuela: Cognome, mulher! Cognome.
Maria: E se fosse Manuelinho I, o alentejano da Ribeira do Sado?
Manuelinho: Gosto desse! Mandem estralar as bombas!

Todos: (A cantar) Estrala bomba e o foguete vai no ar…
Arrebenta, fica todo queimado
Ná ninguém que baile más bem
C’as meninas da Ribeira do Sado
C’as meninas da Ribeira do Sado é que é
Lavram a terra c’as unhas dos pés
C’as meninas da Ribeira do Sado são com’às ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas.

Manuela: (Entra) Calem-se com isso, não vá estar por aí o Bin Laden.
Manuelinho: Então o Bin Laden alentejano não sou eu?
Constantino: Cala-te! Se o rei da América, Jorge Bucha, te ouve ainda te manda matar!
Burguês: (Entra) Estejam calados. Já temos um candidato a rei e não é esse maluco.
Manuelinho: Não me digam que já estou desempregado e ainda nem cheguei a ser rei. Então se não sou eu, quem é?
Burguês: Ouvi dizer que era o Duque de Bragança.
Conde: É verdade. Parece que mataram o Miguel de Vasconcelos.
Manuela: E o que é feito da Duquesa de Mântua?
Maria: Sim, onde é que está essa desgraçada?
Josefa: (Entra. A Duquesa de Mântua fica a um canto a lavar roupa) A Duquesa de Mântua está a lavar a roupa e a seguir vai amassar a broa. Parece que vai estar ocupada por uns tempos…
Conde: Parece que algo de muito especial se vai passar…
Ambrósia: (Entra) Algo de muito especial é comigo… Tomei a liberdade de …
Burguês: Lá vem esta com a mania do Ferrero Rocher… Cala-te!
Zé Próvinho: Isso do Ferrero Rocher é algum vinho Francês?
Ambrósia: Vinho Francês? Já deve estar com os copos.
Zé Próvinho: Pois claro, eu cá só apanho uma bebedeira por ano.
Ambrósia: (Admirada) Só uma?
Zé Próvinho: Claro, apanho-a no dia 1 de Janeiro e dura até ao dia 31 de Dezembro. Até já tenho o fígado em vinho de alhos e está-me quase a sair pela boca fora.
Jesuíno: É ele com o vinho e eu com a soneca! Onde é que está o chaparro? Estou ficando cansado e cá com uma sonera. Ainda falta muito p’rá aclamação? É que eu quero ir deitar-me à sombra do chaparro!
(Entra ocriado e D. Filipe III - ouve-se música flamenca)
Conde: Eu conheço aquele criado de qualquer sítio...
Burguês: A cara dele também não me é desconhecida.... (Pensa um pouco) Já sei! É o criado do Filipe III!
Conde: O que é que ele está a fazer aqui? Terá vindo ao El Corte Espanholês?
Criado: Não é nada disso! Eu estoy de vacaciones....
Conde e Burguês: Vaca quê?
Criado: Estoy de férias e aproveitei para procurar El Pedrito de Portugal. Como vi muita gente junta, pensei que lhe estavam a pedir autógrafos...
Conde: Não é nada disso. (Sobe a uma cadeira e discursa) Portugueses em geral e alfacinhas em particular, estamos aqui para aclamar D. João, Duque de Bragança, como D. João IV, Rei de Portugal. Viva El-rei D. João IV!
Todos: Viva!!! Viva!!!
(D. João aparece à janela com D. Luísa)
D. João IV: (Imitando a Amália Rodrigues) Obrigado! Obrigado! Vou então cantar o fado...
D. Luísa: Ó Joãozinho cala-te, que isto não é um musical do Filipe La Feira. Viva o meu marido, D. João IV.
Todos: Viva El Rei D. João IV!
D. Luísa: Ai que já me estou a despentear… Estou a ver que tenho que ir fazer outra permanente.
D. João IV: Viva Eu! Viva eu
Todos: Viva tu!! Viva tu!! Viva Tu!
Escanifreda: Já vimos tudo, vamos embora.
Andrioleta: Está? Professor? Vamos regressar, espero que tenham ouvido tudo.
Professor: Ouvimos tudo na perfeição. Vou dizer à cientista para programar a máquina.
Capitolina: Já está. Podem entrar.
(Entram na máquina e iniciam a viagem de regresso)